Fisioterapia Hospitalar em Pediatria e Neonatologia. Cenário atual.

Giulliano GardenghiFisioterapia Hospitalar em Pediatria e Neonatologia. Cenário atual.

Prof. Dr. Giulliano Gardenghi

Coordenador Científico do CEAFI Pós-graduação

Consultor Técnico em Pesquisa do Hospital e Maternidade São Cristóvão – São Paulo/SP

(ONA-3)

Em 2010, foi publicada, no Diário Oficial da União, a obrigatoriedade de especialização em Neonatologia e Pediatria para atuação de fisioterapeutas que queiram trabalhar em hospitais. Importante ressaltar que Fisioterapeutas especialistas em cuidados intensivos pediátricos e neonatais são considerados profissionais recentes no Brasil. Apenas no século XXI é que se difundiram cursos pelo país que visavam capacitar o Fisioterapeuta para atuação clínica de qualidade. Antes do ano 2000, poucos núcleos se dedicavam ao desenvolvimento científico dessa especialidade.

Ter especialistas devidamente qualificados sem dúvida é um diferencial para a melhor assistência e segurança dos pacientes pediátricos e neonatais admitidos em ambiente hospitalar/crítico.

São várias as áreas onde o Fisioterapeuta atua, sendo o mesmo responsável pelo diagnóstico cinético-funcional e pelas diversas formas de tratamento que envolvam a reabilitação física. No ambiente hospitalar costuma-se definir as intervenções de tratamento em Fisioterapia respiratória e Fisioterapia motora. É comum que o profissional Fisioterapeuta, em equipe multiprofissional, atue também em situações como oxigenioterapia, assistência ventilatória mecânica, seja esta invasiva e/ou não invasiva, incluindo aí o desmame e extubação do paciente, manejo das pressões de balonete e outros.

Em 2012, o Departamento de Fisioterapia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) elaborou um guia de recomendações, visando padronizar no Brasil a assistência prestada ao paciente neonatal e/ou pediátrico. Dentre elas seguem abaixo algumas consideradas fundamentais para que se possa realizar a Fisioterapia nessa população:

 Recomenda-se a aplicação do aumento de fluxo expiratório (AFE) de forma lenta para recém nascidos (RN) e de forma lenta ou rápida para lactentes com diagnóstico de bronquiolite aguda grave; sugere-se essa intervenção pelo menos uma vez ao dia.

 Recomenda-se a utilização da hiperinsuflação manual (HM) com AMBU, associada ou não a vibrocompressão, para a mobilização e o deslocamento de secreção das vias aéreas em pediatria e neonatologia.

 A percussão torácica aplicada em RNs imediatamente após a extubação não é recomendada, assim como não recomenda-se que as crianças com fibrose cística submetidas a anestesia e intubação intratraqueal no pré operatório sejam
submetidas a técnicas de desobstrução de vias aéreas como drenagem postural e/ou vibração associadas ou não a HM com aspiração. Estas técnicas melhoram em curto prazo a saturação da oxihemoglobina (SpO2) de crianças com insuficiência ventilatória aguda ou crônica e aumentam o volume corrente em crianças com bronquiolite aguda.

 Considerando a reexpansão pulmonar recomenda-se a aplicação da HM com bolsa autoinflável e de suas combinações em neonatologia e pediatria com essa finalidade, assim como é recomendada a realização de compressões torácicas seguidas de liberação lenta e completa da caixa torácica em RNs pré-termo.

 Recomenda-se posicionar lactentes e crianças cronicamente enfermas (câncer e doenças neurológicas) sob ventilação mecânica e com doença respiratória grave (PaO2/FiO2 < 200) em posição prona elevada com coxins de gel nos ombros e nos quadris. O mesmo vale após cirurgias toracoabdominais, recomenda-se, desde que observadas as precauções em relação à ferida operatória. Já durante o desmame, a posição prona não deve ser adotada.

 No que tange à aspiração traqueal, recomenda-se a hiperóxia (aumento de 10% dos valores basais da fração inspirada de oxigênio) em RNs pré-termo para evitar a hipoxemia durante e após a aspiração intratraqueal para manter uma SpO2 entre 88 e 92%. Recomenda-se ainda utilizar manobras de contenção
postural durante procedimentos de aspiração em RNs pré-termo.

Importante ressaltar que todas as técnicas aqui descritas não são desprovidas de contraindicações e de efeitos adversos, devendo o Fisioterapeuta estar devidamente instruído para que assim possa realizá-las de maneira segura e eficaz. São consideradas contraindicações da maioria dessas técnicas: RNs de extremo baixo peso e casos de
doença de refluxo gastroesofágico. Efeitos adversos descritos na literatura envolvem uma eventual redução na pressão arterial de oxigênio (PaO2), aumento da frequência respiratória e redução do tempo expiratório, dentre outros.

Em resumo, a Fisioterapia Neonatal e Pediátrica assume, nos dias de hoje, papel fundamental na busca pelo melhor prognóstico clínico/funcional do paciente. É essencial que os serviços hospitalares de qualidade se preocupem com tal especialidade, buscando capacitar e atualizar continuamente a equipe fisioterapêutica assistencial.

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