Necessidade de Traqueostomia Eletiva para Pacientes Portadores de ELA Bulbar

A Esclerose Lateral Amiotrófica-ELA pode apresentar seu início de formas variadas, em membros superiores ou inferiores ou ambos. Mas, na ELA de início Bulbar os comprometimentos inicialmente apresentados são: deglutição, fala e mobilidades de boca e face. O envolvimento Bulbar pode ser devido à degeneração do neurônio motor inferior (paralisia bulbar), do superior (paralisia pseudobulbar) ou de ambos. A Paralisia Bulbar é associada com a paralisia facial e dificuldade de movimento palatal com atrofia, fraqueza e fasciculação da língua o que ocasiona a dificuldade de deglutição e de fala. Os sintomas caracterizados como bulbares acontecem devido às fraquezas especificas na musculatura da região orofaríngea, além de músculos faciais, língua e lábios.

Em todas as avaliações respiratórias, médicos e profissionais fisioterapeutas solicitam o exame de prova de função pulmonar para avaliação da capacidade pulmonar e da força respiratória. Porém, especificamente no caso da ELA Bulbar a fraqueza da musculatura de vedamento da boca, a dificuldade de gerar volume para o exame e a presença do ruído glótico dificultam o resultado e muitas vezes levam a abordagens e condutas médicas equivocadas.

O paciente com ELA Bulbar apresenta dificuldade respiratória por comprometimento da abertura da via aérea superior, ou seja, ocorre uma resistência na região laringotraqueal que faz com que o ar tenha dificuldade para passar. Na verdade, a maioria desses pacientes apresentam boa força de diafragma e de membros superiores e inferiores, muitos ainda deambulam sem auxílio.

As terapias auxiliares na manutenção da capacidade pulmonar, tais como: a capacidade de insuflação máxima e a Ventilação Não Invasiva-VNI as vezes não oferecem muito sucesso, devido à obstrução ser local. E muitas vezes o agravo da dificuldade respiratória acontece quando o paciente está deitado ou dormindo.

Neste caso especificamente de ELA Bulbar, o procedimento mais indicado é a traqueostomia eletiva (agendada), que é a realização de uma abertura na via aérea do pescoço que faz com que a resistência e a obstrução deixem de acontecer, bem como a dificuldade respiratória. Alguns pacientes que ainda preservam a força do diafragma podem permanecer até alguns períodos sem assistências ventilatória (Bipap). A opção pela traqueostomia precoce minimiza as alterações que podem ocorrer se o paciente apresentar algum quadro de infecção respiratória que necessite hospitalização e possível entubação. No caso da traqueostomia eletiva, o paciente interna, sem complicações respiratórias, realiza o procedimento e retorna ao quarto ou enfermaria sem necessitar de UTI.

As dificuldades de aceitação de procedimentos mais invasivos como traqueostomia por parte do paciente e da família acabam por ocasionar riscos desnecessários. Desta forma, se o paciente com ELA Bulbar apresentar as situações abaixo:

a) Dificuldade importante para permanecer deitado;

b) Não conseguir dormir;

c) Quantidade aumentada de saliva;

d) Dificuldade para deglutir e a

e) Ventilação Não Inasiva-VNI (Bipap) não tiver auxiliando no descanso respiratório.

A sugestão é que converse com seu médico sobre a possibilidade da realização da traqueostomia precoce para manutenção da abertura da via aérea e melhora dos sintomas respiratórios. E lembre-se, neste caso é fundamental a colocação de uma cânula que tenha endocânula e que possua a forma de balonete de baixa pressão e alto volume, o fabricante poderá oferecer orientações. Em relação à realização da polissonografia no paciente de ELA Bulbar o cuidado deve ser redobrado, pois a dificuldade de dormir acontece devido à apneia ocasionada pela obstrução local e a avaliação com uso do CPAP pode aumentar a dificuldade respiratória.

E muitas vezes o texto da leitura dos dados do exame não é finalizado por alterações que a dificuldade de deglutir a saliva pode ocasionar.

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