A gastrostomia e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

No intuito de proporcionar maiores informações aos pacientes portadores de ELA e, desta forma, mais cuidado, resolvi escrever este “post”. Todo ser humano possui uma relação muito forte entre a comida e o prazer. Muitas comemorações se concentram no alimento. A progressão da ELA acontece e muitos pacientes passam pelo questionamento de fazer ou não a gastrostomia. Muitos se perguntam: “mas eu não poderei mais comer pela boca”?

Precisamos avaliar as consequências desta decisão. Nos casos de doença com comprometimento bulbar, o primeiro sinal será a disfunção da deglutição, o que ocasiona a broncoaspiração, ou seja, o alimento cai de forma discreta no pulmão provocando engasgos e tosses. As consequências desses episódios são as infecções respiratórias que podem ocorrer, como a pneumonia por broncoaspiração, por exemplo. Esta é uma situação grave que cursa com grande dificuldade respiratória e, na maioria das vezes, ocasiona necessidade de ventilação invasiva e traqueostomia.

Nos casos onde o acometimento primário não é bulbar, este problema demora mais a acontecer. Os pacientes apresentam dificuldade de movimento de membros, mas a capacidade do pulmão está preservada e, por isso, este sintoma não aparece precocemente.

Então, qual o melhor momento para se fazer uma gastrostomia?

A gastrostomia é um procedimento invasivo de colocação de uma sonda de alimentação no estômago. Muitas vezes, e dependendo da equipe médica, é realizado no centro cirúrgico sob sedação, através de uma via endoscópica. É necessário que o paciente tenha pelo menos 50% da capacidade pulmonar para ser realizada sem suporte ventilatório, porém, em muitos casos é imprescindível o uso da ventilação não invasiva intra operatória.

Quanto mais cedo o paciente portador de ELA optar por esse procedimento, mais as chances de dar tudo certo!!!

Fazer a gastrostomia não significa não se alimentar mais pela boca. Muitos pacientes, após avaliação fonoaudiológica, podem continuar se alimentando normalmente, e apenas ingerir suplementos alimentares pela sonda. Esta decisão muda o curso da doença, pois o paciente bem nutrido tem maior sobrevida e menos chances de doenças respiratórias. Por isso, ao descobrir e fechar o diagnóstico da doença, converse com seu médico sobre o procedimento, não deixe esta opção como última escolha, pois os riscos aumentam com a perda da capacidade de proteção da via aérea, ou seja, a dificuldade para tossir e a baixa capacidade pulmonar podem ser grandes complicadores para a cirurgia.

Esta dica é muito valiosa e deve ser pensada sempre, pois o tratamento da ELA parte destas decisões!

Profª Alessandra Dorça

2 ideias sobre “A gastrostomia e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)”

  1. Para quem aprecia estudar no silêncio da madrugada uma noite de insônia pode ser uma grata oportunidade de conhecer novas possibilidades e aprender. Atraído por um post em rede social acabei conhecendo e devorando todo material publicado. Conhecer este blog sem dúvidas foi uma destas dádivas. Parabéns pelo trabalho.

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