“Valor” do estudo

Ao lermos o título dessa mensagem automaticamente submetemos nossos pensamentos à importância dos nossos estudos, ou seja, associando tal “valor” a uma maior qualificação e ainda a crescimento profissional. Claro que a palavra “valor” pode ser também associada ao preço a ser pago por algo. Eu prefiro sempre a primeira opção. Valor como algo que engrandece e não como preço a ser pago. Muitas pessoas confundem valor com preço. Não é a mesma coisa. Pagar por algo, como se paga por uma especialização, só vale a pena a partir do momento em que se julgue que a mesma poderá agregar valor à carreira. Dinheiro está relacionado a preço, e não a valor. O valor só existirá se o estudo adquirido apresentar algum benefício ao aluno que se propõe a pagar pelo mesmo. Perceber se seus estudos podem acrescentar valor à sua carreira é uma tarefa que exigirá do pretendente certo engajamento. Vale a pena entrar em contato com ex-alunos do curso pretendido, por exemplo, e perguntar a esses se o curso em questão satisfez a esse critério de “agregar valor” a carreira, no sentido intelectual e porque não, financeiro também. Pensar no “preço” dos estudos significa partir de um referencial que pode ser encarado negativamente. Algo como “Estudar me custou tantos Reais”. Dois exemplos práticos para embasar meu racional. Exemplo de “valor”:

1) João é formado em Fisioterapia e em seu primeiro  emprego recebe R$1.000,00 por mês. Em um momento de sua carreira, após ter trabalhado por um ano, resolver agregar mais valor ao seu currículo, cursando uma especialização. Imaginemos que o custo desse curso foi de R$15.000,00. Após ter desembolsado tal dinheiro, João se tornou mais capacitado, e pela qualidade do curso que escolheu, a competir por melhores vagas no mercado. Como resultado, conseguiu um emprego que lhe paga agora R$3.000,00 por mês, após ser aprovado em processo seletivo. Em números. No primeiro ano de sua carreira, João recebeu R$12.000,00. Cursando a sua especialização, gastou R$7.500,00/ano por dois anos, totalizando um custo final de R$15.000,00 para adquirir maior qualidade técnica e assistencial. Após isso, passou a receber anualmente R$36.000,00. A matemática é positiva, deixando claro que no exemplo acima houve ganho de “valor” intelectual e também financeiro, afinal a renda de João aumentou três vezes no mesmo período de tempo, cobrindo inclusive os custos do programa de pós-graduação. Agora imaginemos o exemplo de “preço pago” a seguir.

2) João é formado em Fisioterapia e em seu primeiro emprego recebe R$1.000,00 por mês. Em um momento de sua carreira, após ter trabalhado por um ano, resolver agregar mais valor ao seu currículo, cursando uma especialização. Imaginemos que o custo desse curso foi de R$8.000,00. Mesmo desembolsando um valor significativamente menor, João também foi considerado especialista pela faculdade que escolheu. Acontece que João não conseguiu uma vaga que lhe garantisse maior remuneração e continuou ganhando os mesmos R$1.000,00 por mês após ter terminado seu programa de pós-graduação. Daí a pergunta: O curso realizado agregou valor a João? Potencialmente não, uma vez que não resultou em maiores receitas e maior reconhecimento profissional. O “preço” pago não se refletiu em valor. Foi literalmente “dinheiro jogado fora”. Enfim, o “valor” é algo que pode ser considerado positivo. Investir em você pode resultar em maior valor no seu currículo. Para investir com segurança, procure uma instituição séria e com tradição de ensino. Procure pelos exemplos profissionais que são advindos dessa instituição. Escolha bem! Escolher errado pode resultar em pagar um “preço” alto demais pela capacitação que está buscando. Escolher errado pode significar não conseguir se tornar melhor e não aumentar seu “valor” no mercado.

 

Coordenador científico do CEAFI Pós-Graduação

Prof. Dr. Giulliano Gardenghi

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