Artigo 205 da Constituição Federal da República Federativa do Brasil

Artigo 205 da Constituição Federal da República Federativa do Brasil

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Abro esse texto com a menção ao artigo 205 da nossa Constituição Federal, promulgada em 1988, com a finalidade de chamar a atenção para um quadro que todo e qualquer educador em nível superior tem presenciado no seu cotidiano em sala de aula. Cada vez mais nos deparamos com alunos que ingressam no ensino superior (sim, aquele das faculdades e universidades), sem saber exatamente empregar conceitos básicos de “Educação”. Infelizmente a formação dos jovens em nosso país tem deixado a desejar em matérias como Língua Portuguesa, Matemática, Cidadania, Educação Moral (porque não?) e outras, expondo a juventude que se forma a uma realidade dura, onde mesmo graduando-se não se consegue uma boa colocação profissional, uma vez que as empresas de maior porte (e maiores salários) preferem em seus quadros jovens que possam utilizar-se de tais disciplinas na sua atuação cotidiana.

Sobram aos formandos deficitários os subempregos, com remunerações ínfimas, cargas de trabalho extremas e outras mazelas.

Engraçado notar que na própria lei a palavra “educação” é grafada em letra minúscula, enquanto a palavra “Estado” é grafada em maiúscula. Sou contra! Com base nas notícias que vemos todos os dias nos telejornais, denunciando as falcatruas e esquemas de corrupção do nosso país (ou “Estado”, se preferir) acho que deveríamos mudar a regra gramatical. Passar a escrever “Educação” em maiúscula, para chamar a atenção para um problema sério que temos nessa área. E talvez “estado” em minúscula, como se assim estivéssemos chamando a atenção dos políticos que nos governam sobre as barbáries do atual “Estado” com relação à sua conduta.

Como se assim estivéssemos deixando os políticos em “segunda época”, para reverem suas ações e condutas e então conseguir sua tão sonhada aprovação nas urnas, dada pelo povo brasileiro.

Acredito que a “Educação” de uma população tenha de ser extremamente valorizada (e quem não acredita?). Ao permitir que jovens completem o ensino médio sem estarem realmente preparados, o “estado” atribui à faculdade/universidade a responsabilidade de formar o aluno em “nível superior”. E como formar a pessoa dessa maneira? Missão árdua para os educadores, que tem de ensinar cálculo ou trigonometria a um aluno que não domina as quatro operações fundamentais da Matemática. Ou ensinar o preparo de uma peça processual de Direito a um aluno que sequer consegue escrever um ditado com palavras como “exceção”, “sequela”, “flexão” ou “enxergar”. Corrigindo provas na faculdade, no último semestre, encontrei “ecessão”, “cecúela”, “frequição” e “enchergar”.

Tem algo de errado nesse “estado” chamado Brasil. E a cada ano que passa parece que está ficando mais tarde para voltar atrás e encontrarmos o caminho, que sem dúvida, passa por melhorar a “Educação” de nosso povo. Aristóteles escreveu, entre 384 a.C. e 322 a.C.: “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”.

Aristóteles estava certo à época. Se ao menos nossos políticos conhecessem mais Aristóteles…

 

Dr. Giulliano Gardenghi