Ingestão proteica antes de dormir: potencial para otimizar a recuperação pós-exercício

Ingestão proteica antes de dormir: potencial para otimizar a recuperação pós-exercício

Resenha realizada pelo Prof. Dr. Giulliano Gardenghi, sobre o artigo publicado no site do Gatorade Sports Science Institute, por Luc J.C. van Loon; Professor of Physiology of Exercise and Head of the M3-research Unit, Maastricht University.

A proteína dietética desempenha um papel central na facilitação da resposta adaptativa do músculo esquelético ao treino de exercícios. Uma única sessão de exercícios estimula a síntese de proteína muscular e, em menor extensão, quebra de proteína muscular. No entanto, o equilíbrio protéico pós-exercício permanecerá negativo na ausência da ingestão alimentar. A ingestão da proteína dietética estimula a síntese de proteína muscular esquelética, inibe a quebra de proteínas, e portanto estimula o acúmulo de proteína muscular tanto após exercícios de força, quanto após exercícios de resistência. Isso promove o aumento da resposta adaptativa do músculo esquelético para cada sessão sucessiva de exercícios e pode resultar em recondicionamento mais eficiente do músculo esquelético.
Vários estudos relataram melhor equilíbrio protéico pós-exercícios e/ou maiores taxas de síntese de proteína muscular após a ingestão de diferentes fontes de proteína, inclusive a proteína do soro do leite e a caseína, proteína da soja, hidrolisão de caseína, proteína do ovo e leite integral e/ ou leite desnatado. A proteína do leite e seus principais componentes isolados, o soro do leite e a caseína, oferecem uma vantagem anabólica (construção dos músculos) comparada à proteína da soja. Além disso, a proteína do soro do leite parece induzir um aumento da resposta de síntese da proteína muscular quando comparado à caseína.
Além da quantidade e da fonte da proteína ingerida durante a recuperação aguda pós-exercícios, o momento da ingestão protéica foi identificado como principal fator modulando o anabolismo da proteína muscular pós-exercícios. Uma oferta direta de proteína dietética após o término dos exercícios mostrou resultar em um equilíbrio protéico mais positivo, quando comparado à proteína oferecida muitas horas após o exercício. Além disso, estudos recentes sugerem que a co-ingestão de carboidratos (CHO) e proteína antes de e/ou durante exercícios pode aumentar ainda mais o acúmulo de proteína muscular pós-exercício.
Em resumo, a ingestão de proteína dietética imediatamente após o exercício aumenta as taxas de síntese de proteína muscular pós-exercício, assim facilitando a resposta adaptativa do músculo esquelético a exercícios prolongados. A proteína ingerida antes de dormir é efetivamente digerida e absorvida durante a noite, assim aumentando a disponibilidade de aminoácidos plasmáticos e estimulando a produção de proteína muscular pós-exercício após uma noite de sono. Consequentemente, a ingestão de proteína dietética antes de dormir pode representar uma estratégia dietética efetiva para inibir a quebra de proteína muscular, estimular a síntese de proteína muscular, facilitar a resposta adaptativa do músculo esquelético aos exercícios e melhorar a efetividade dos exercícios.

Maiores informações sobre o assunto acima podem ser obtidas no link abaixo:
Fonte: www.gssiweb.org

Prof. Giulliano Gardenghi no “Diabetes & Obesity International Journal”

Dr. Giulliano Gardenghi, coordenador científico do CEAFI Pós-graduação, publicou o artigo intitulado “Prevalence of Risk Factors for Cardiovascular Disease in Adolescents with Type 1 Diabetes”, no periódico Diabetes & Obesity International Journal, em sua última edição. O artigo científico foi realizado em parceria com a Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Goiás, especificamente com a coordenadora do ambulatório de Diabetes tipo I em adolescentes do Hospital das Clínicas da UFG, Profa. Dra. Rosana de Morais Borges Marques.

A seguir o resumo (em inglês) do artigo científico:

Aims: The objective of this study was to investigate the prevalence of hyperglycemia, dyslipidemia, overweight, hypertension and sedentary lifestyle as risk factors for cardiovascular diseases in adolescents with Type 1 Diabetes. Methods: Adolescents (10-18 years) with type 1 diabetes participated in the study. Socioeconomic, demographic, biochemical data of glycemic control and lipid profile, blood pressure, anthropometric measurements and physical activity were collected. For the variables with normal distribution, the means and standard deviation were calculated. Chi-square test and Fisher’s exact test (p <0.05) were used for the categorical variables. Results: 45 adolescents (55.6% female) with a mean age of 13.7 years (SD ± 2,292) participated. Most participants had hyperglycemia (81% and 95% with fasting glycaemia and increased glycated hemoglobin, respectively). The high concentration of LDL cholesterol was present in 20% of the participants. 19% had arterial hypertension, with 6% of excess weight and 22% with cardiovascular risk assessed by waist circumference. Almost half of the adolescents did not practice any physical activity. Conclusion: Adolescents with type 1 diabetes in the study had a high prevalence of risk factors for the development of cardiovascular diseases. Faça o download e confira o artigo em CEAFI.

Utilização de Ventilador Especializado para Aumento de Capacidade de Insuflação (CI)

Utilização de Ventilador Especializado para Aumento de Capacidade de Insuflação (CI)
White Paper
Felipe B. A. Schneider
Alessandra Dorça

O treinamento para o fortalecimento dos músculos do sistema respiratório (FMSR) impacta diretamente na capacidade de deglutir, falar e tossir. Esta melhora é resultado do aumento da capacidade de insuflação e da capacidade do sistema respiratório em gerar pressões positivas expiratórias. Tais fatos evidenciam a influência positiva na expectativa e na qualidade de vida de pacientes com doenças neuromusculares (DNM) exercida pelo FMSR. A manobra é tradicionalmente realizada por um profissional de fisioterapia com a utilização de um reanimador manual (também conhecido como bolsa auto-insuflável), uma válvula unidirecional com alivio de pressão de segurança e uma válvula de pressão positiva expiratória (PEEP). Usualmente, a ventilação é feita por meio de máscara, resultando, assim, um vazamento constante. Ademais, a incapacidade dos reanimadores manuais em gerar um fluxo contínuo durante todo o exercício respiratório (ER) impossibilita a equalização das pressões de via aérea e intrapulmonar. Todos estes fatores deterioram o desempenho e a eficácia da técnica implementada. Propõe-se a utilização de um ventilador com controle automático da pressão máxima inspiratória, capaz de gerar um fluxo alto e contínuo durante todo o exercício respiratório, e o emprego de uma única válvula capaz de direcionar corretamente o fluxo e gerar PEEP ajustável, reduzindo o número de componentes e melhorando a qualidade final do ER. Tal cenário fornece mais segurança e conforto ao fisioterapeuta, sendo reduzido, simultaneamente, o desconforto proporcionado ao paciente por pressões de via aérea demasiadamente elevadas.

Confira o artigo completo em: www.ceafi.com.br

Reposição Hídrica e Exercício

Reposição Hídrica e Exercício

Luciano Medeiros Santiago; Giulliano Gardenghi

1. Graduado em Educação Física pela FESGO, Especializando em Fisiologia do Exercício pelo CEAFI Pós-graduação/GO – Brasil.
2. Fisioterapeuta; Doutor em Ciências pela FMUSP; Coordenador Científico do CEAFI Pós-Graduação/GO

Hidratação
Diversas são as modalidades esportivas que podem facilmente ultrapassar uma hora de duração, podendo se estender por horas de esforço aeróbio ao ar livre e sob as influências do tempo e do clima. Por ser esportes que usam de percursos longos, torna-se difícil ter um controle da ingestão de líquidos apropriada, pela dificuldade de transportar ou ter acesso a bebidas e por geralmente não usarem de intervalos periodizados para reidratação, favorecendo a ingestão ad libitum de água pelos praticantes.
Durante o exercício os seres humanos tipicamente não ingerem tanta água quanto perdem e na melhor das hipóteses, a ingestão voluntária repõe por volta de dois terços da água perdida pelo suor1.
Em geral as taxas de reidratação ficam abaixo de 500 ml por hora, e a maioria dos atletas se permite perdas de dois a três quilos de água em esportes como a corrida, o ciclismo e o triatlo. Sugere-se que a sede seja um péssimo índice da magnitude do déficit líquido, não podendo ser utilizada para controlar uma reposição completa de água perdida pela sudorese1. É interessante que praticantes de modalidades de exercícios de longa duração desenvolvam estratégias para monitorar e repor a perda de peso corporal através de líquidos de preferência a uma taxa próxima à da perda pelo suor1.
Avaliação do estado de hidratação
A avaliação do estado de hidratação corporal antes, durante e após o exercício físico é de fundamental importância por ser um fator determinante de desempenho para a prática de atividades físicas principalmente para a prática constante, além de ajudar a prevenir ou evitar os problemas de saúde provocados pelo estado de desidratação2. É possível avaliar o estado de hidratação através da variação do peso corporal antes e após o exercício, onde através da diferença entre estes valores calcula-se o percentual de perda de peso para classificar o estado de hidratação1,2.
Também é possível classificar a urina pela sua coloração utilizando-se a escala da urina proposta por Armstrong et al3. Porém deve-se ter cuidado ao avaliar o estado de hidratação pela coloração e pelo volume de urina durante períodos de reidratação para não gerar equívocos. Se uma pessoa desidratada consumir grandes volumes de líquidos hipotônicos ela terá uma produção de urina abundante, muito antes de reestabelecer o estado de euhidratação4.
Desidratação
O processo de desidratação é um dos fatores que aumentam os níveis de estresse causados pelo exercício, pois eleva a temperatura do corpo, torna as respostas fisiológicas menos expressivas, prejudica o desempenho físico e deixa o organismo mais suscetível a doenças. Tais efeitos são evidenciados de acordo com o nível da desidratação, indo de processos leves até perdas acentuadas3,5.
A elevação térmica ocasionada durante o exercício pode gerar respostas como desconforto e fadiga até, em níveis mais altos, gerar redução do desempenho. Caso o estresse térmico se prolongue por muito tempo irá gerar uma drástica diminuição na hidratação, redução esta que afeta o volume de sangue, diminuindo a pressão sanguínea, e afetando o processo transpiratório6,7.
A perda hídrica pela sudorese durante o exercício pode levar o organismo à desidratação, com aumento da osmolaridade, da concentração de sódio no plasma e diminuição do volume plasmático. Quanto maior a desidratação, menor a capacidade de redistribuição do fluxo sanguíneo para a periferia, menor a sensibilidade hipotalâmica para a sudorese e menor a capacidade aeróbia para um dado débito cardíaco4. Quando o corpo atinge a marca entre 1 e 2% de desidratação tem início o aumento da temperatura corporal em até 0,4 ºC para cada percentual subsequente de desidratação. Aproximadamente em 3% já existe uma redução importante no desempenho, entre 4 a 6% pode ocorrer fadiga térmica e a partir de 6% existe o risco de choque térmico, coma e morte8.
Os fatos sugerem que a desidratação não ocorra somente devido à perda de líquido pela sudorese e sua reposição insuficiente. O organismo deve ser capaz de absorver e reter a água ingerida e repor os eletrólitos perdidos. O suor é hipotônico em relação ao sangue e a desidratação no exercício pode gerar aumento da osmolaridade sanguínea, onde, a redução do volume plasmático e o aumento da osmolaridade acima dos valores ideais aumentam a temperatura interna, diminuindo a convecção e a evaporação do suor, dificultando a perda de calor para o ambiente. A hiperosmolaridade plasmática pode aumentar a temperatura interna, afetando o hipotálamo e/ou glândulas sudoríparas e retardando o início da sudorese e da vasodilatação periférica durante o exercício7.
A água é a opção mais comum e barata para reidratação e tem um rápido esvaziamento gástrico, porém, ela por si só não contêm quantidades de eletrólitos capazes de repor as perdas pela sudorese, sendo uma desvantagem em exercício intermitente de mais de uma hora de duração ou para atividades de menor duração e elevada intensidade como o futebol, basquete e tênis7. Segundo os autores, a hidratação somente com água possui as desvantagens de não conter sódio e carboidratos, e de ser insípida, o que favorece a desidratação voluntária (por não conter sabor) e dificulta o processo de equilíbrio hidroeletrolítico. O artigo também aborda o consumo de sódio durante o exercício justificado pela sua perda na sudorese, que varia individualmente influenciada por diversos fatores. O ACSM recomenda dentre as quantidades e composições do líquido para reidratação em exercício, que contenha ou adicione-se sódio (0,5 a 0,7 g.L-¹ de água) caso o exercício dure mais que uma hora. Isto pode ser vantajoso por melhorar o sabor da bebida, promovendo retenção de líquido e possivelmente revertendo a hiponatremia em alguns indivíduos que tenham ingerido quantidades excessivas de água1.
A presença do sódio nas bebidas esportivas melhora a absorção de água e carboidratos pelo intestino durante e após o exercício, devido ao transporte de glicose na mucosa do enterócito estar acoplado com o transporte de sódio, o que resulta em uma maior absorção de água7.
Referências Bibliográficas
1. American College of Sports Medicine. Position Stand on Exercise and fluid replacement. Med Sci Sports Exerc. 1996;28(1):1-7.
2. Moreira MCA, Gomes ACV, Garcia ES, Rodrigues LOC. Hidratação durante o exercício: a sede é suficiente? Rev Bras Med Esporte 2006;12(6):405-09.
3. Armstrong LE , Maresh CM , Castellani JW , Bergeron MF , Kenefick RW , LaGasse KE , et al. Urina indices of hydration status. Int J Sport Nutr. 1994;4(3):265-79.
4. American College of Sports Medicine. Position Stand on Exercise and fluid replacement. Med Sci Sports Exerc [periódico da internet]. 2007 [acesso em 11 out 2016];39(2):377-390. Disponível em: http://journals.lww.com/acsm-msse/Fulltext/2007/02000/Exercise_and_Fluid_Replacement.22.aspx
5. Brito ISS, Brito CJ, Fabrini SP, Marins JCB. Caracterização das práticas de hidratação em karatecas do estado de Minas Gerais. Fitness & Performance Journal [periódico da internet]. 2006 [acesso em 20 out 2016];5(1):24-30. Disponível em: http://www.redalyc.org/pdf/751/75117026004.pdf
6. Silva FIC, Santos AML, Adriano LS, Lopes RS, Vitalino R, Sa NAR. A importância da hidratação hidroeletrolítica no esporte. R Bras Ci e Mov. 2011;19(3):120-8.
7. Meir R, Brooks L, Shield T. Body weight and tympanic temperature change in professional rugby league players during night and day games: a study in the field. J Strength Cond Res [periódico da internet]. 2003 [acesso em 14 out 2016];17(3):566-72. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12930188
8. Hernandez AJ, Nahas RM, Rodrigues T, Meyer F, Zogaib P, Lazzoli JK, et al. Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Rev Bras Med Esporte. 2009;15(3):3-12.

Fisioterapia Hospitalar em Pediatria e Neonatologia. Cenário atual.

Giulliano GardenghiFisioterapia Hospitalar em Pediatria e Neonatologia. Cenário atual.

Prof. Dr. Giulliano Gardenghi

Coordenador Científico do CEAFI Pós-graduação

Consultor Técnico em Pesquisa do Hospital e Maternidade São Cristóvão – São Paulo/SP

(ONA-3)

Em 2010, foi publicada, no Diário Oficial da União, a obrigatoriedade de especialização em Neonatologia e Pediatria para atuação de fisioterapeutas que queiram trabalhar em hospitais. Importante ressaltar que Fisioterapeutas especialistas em cuidados intensivos pediátricos e neonatais são considerados profissionais recentes no Brasil. Apenas no século XXI é que se difundiram cursos pelo país que visavam capacitar o Fisioterapeuta para atuação clínica de qualidade. Antes do ano 2000, poucos núcleos se dedicavam ao desenvolvimento científico dessa especialidade.

Ter especialistas devidamente qualificados sem dúvida é um diferencial para a melhor assistência e segurança dos pacientes pediátricos e neonatais admitidos em ambiente hospitalar/crítico.

São várias as áreas onde o Fisioterapeuta atua, sendo o mesmo responsável pelo diagnóstico cinético-funcional e pelas diversas formas de tratamento que envolvam a reabilitação física. No ambiente hospitalar costuma-se definir as intervenções de tratamento em Fisioterapia respiratória e Fisioterapia motora. É comum que o profissional Fisioterapeuta, em equipe multiprofissional, atue também em situações como oxigenioterapia, assistência ventilatória mecânica, seja esta invasiva e/ou não invasiva, incluindo aí o desmame e extubação do paciente, manejo das pressões de balonete e outros.

Em 2012, o Departamento de Fisioterapia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) elaborou um guia de recomendações, visando padronizar no Brasil a assistência prestada ao paciente neonatal e/ou pediátrico. Dentre elas seguem abaixo algumas consideradas fundamentais para que se possa realizar a Fisioterapia nessa população:

 Recomenda-se a aplicação do aumento de fluxo expiratório (AFE) de forma lenta para recém nascidos (RN) e de forma lenta ou rápida para lactentes com diagnóstico de bronquiolite aguda grave; sugere-se essa intervenção pelo menos uma vez ao dia.

 Recomenda-se a utilização da hiperinsuflação manual (HM) com AMBU, associada ou não a vibrocompressão, para a mobilização e o deslocamento de secreção das vias aéreas em pediatria e neonatologia.

 A percussão torácica aplicada em RNs imediatamente após a extubação não é recomendada, assim como não recomenda-se que as crianças com fibrose cística submetidas a anestesia e intubação intratraqueal no pré operatório sejam
submetidas a técnicas de desobstrução de vias aéreas como drenagem postural e/ou vibração associadas ou não a HM com aspiração. Estas técnicas melhoram em curto prazo a saturação da oxihemoglobina (SpO2) de crianças com insuficiência ventilatória aguda ou crônica e aumentam o volume corrente em crianças com bronquiolite aguda.

 Considerando a reexpansão pulmonar recomenda-se a aplicação da HM com bolsa autoinflável e de suas combinações em neonatologia e pediatria com essa finalidade, assim como é recomendada a realização de compressões torácicas seguidas de liberação lenta e completa da caixa torácica em RNs pré-termo.

 Recomenda-se posicionar lactentes e crianças cronicamente enfermas (câncer e doenças neurológicas) sob ventilação mecânica e com doença respiratória grave (PaO2/FiO2 < 200) em posição prona elevada com coxins de gel nos ombros e nos quadris. O mesmo vale após cirurgias toracoabdominais, recomenda-se, desde que observadas as precauções em relação à ferida operatória. Já durante o desmame, a posição prona não deve ser adotada.

 No que tange à aspiração traqueal, recomenda-se a hiperóxia (aumento de 10% dos valores basais da fração inspirada de oxigênio) em RNs pré-termo para evitar a hipoxemia durante e após a aspiração intratraqueal para manter uma SpO2 entre 88 e 92%. Recomenda-se ainda utilizar manobras de contenção
postural durante procedimentos de aspiração em RNs pré-termo.

Importante ressaltar que todas as técnicas aqui descritas não são desprovidas de contraindicações e de efeitos adversos, devendo o Fisioterapeuta estar devidamente instruído para que assim possa realizá-las de maneira segura e eficaz. São consideradas contraindicações da maioria dessas técnicas: RNs de extremo baixo peso e casos de
doença de refluxo gastroesofágico. Efeitos adversos descritos na literatura envolvem uma eventual redução na pressão arterial de oxigênio (PaO2), aumento da frequência respiratória e redução do tempo expiratório, dentre outros.

Em resumo, a Fisioterapia Neonatal e Pediátrica assume, nos dias de hoje, papel fundamental na busca pelo melhor prognóstico clínico/funcional do paciente. É essencial que os serviços hospitalares de qualidade se preocupem com tal especialidade, buscando capacitar e atualizar continuamente a equipe fisioterapêutica assistencial.

EFEITOS DA RECUPERAÇÃO ATIVA APÓS LUTA DE JUDÔ

EFEITOS DA RECUPERAÇÃO ATIVA APÓS LUTA DE JUDÔ

Prof. Dr. Giulliano Gardenghi
Coordenador Científico do CEAFI Pós-graduação – Goiânia/GO.
Faixa Preta – 2º DAN – Associação de Judô Messias – São Paulo/SP.
E-mail para contato: coordenacao.cientifica@ceafi.com.br

O suporte fisiológico para um bom desempenho em torneios de judô envolve condicionamento físico com foco no aumento da potência e capacidade anaeróbias, sem negligenciar o aumento da capacidade aeróbia, além do trabalho de flexibilidade. Resumidamente podemos definir a capacidade anaeróbia como produção de trifosfato de adenosina (ATP) baseada no mecanismo de glicólise anaeróbia, o que por sua vez pode resultar em altas taxas de produção de lactato. Tal fenômeno ocorre sempre que se utilizam as fibras musculares relacionadas à geração de força (fibras brancas – tipo IIx), de recrutamento muito comum durante a prática do judô.
Diversos autores demonstram que atletas de judô apresentam aumento significante do lactato após uma luta. O aumento do lactato está relacionado à pior desempenho esportivo, por aumento da acidose no meio intramuscular. A acidose relaciona-se à fadiga e a consequente perda na capacidade de geração de força. Como numa competição de judô o atleta pode se deparar com diversos combates no mesmo dia, muitas vezes com intervalos curtos entre os mesmos, encontrar uma maneira pela qual se consiga diminuir as taxas de lactato presentes no organismo é fundamental para garantir melhor desempenho técnico durante a competição.
O lactato produzido após o exercício normalmente é eliminado do corpo durante a fase de recuperação. Estudos sugerem que a remoção do lactato varia de indivíduo para indivíduo, sendo que fatores como nível de treinamento, genética e mesmo preparo psicológico podem influir nessa capacidade.
Em resumo, após uma luta de judô ocorre grande produção de lactato. Muitas vezes os intervalos entre uma luta e outra numa competição são inferiores a 30 minutos. Tal fator pode resultar em maiores níveis de acidose sanguínea e muscular, devido ao acúmulo do lactato após cada combate, com prejuízo na capacidade de geração de força, culminando com pior desempenho muscular exatamente no momento em que se atingem as finais do torneio.
Bioquimicamente, a remoção do lactato sanguíneo depende de fatores como a oxidação do lactato para gás carbônico e água, nos músculos ativos e inativos, da gliconeogênese hepática e da reconversão do lactato para glicogênio, via glicogênese muscular.
Diversas técnicas são propostas para otimizar a redução do lactato após realização de exercícios. Como exemplos, podemos mencionar a realização de massagens ao término dos combates, a inalação de oxigênio e principalmente, a recuperação ativa entre as lutas. Entende-se como recuperação ativa a manutenção do exercício após a luta, numa intensidade bastante inferior aquela presente durante o combate. Manter a realização de atividades físicas leves, de característica aeróbia, após uma luta, utilizando grandes grupos musculares ou ainda grupos musculares que não foram tão solicitados durante a prática de exercício de alta intensidade ajuda a elevar a taxa metabólica do indivíduo, sem aumentar a glicólise anaeróbia e sem promover consequente acúmulo de lactato. A taxa metabólica elevada, associada a um maior fluxo de sangue para os músculos em atividade, proveniente das elevações da pressão arterial e da frequência cardíaca decorrentes da atividade física leve ajudam no fenômeno de oxidação, onde o oxigênio atuará na reconversão do lactato para ácido pirúvico, resultando em menor alteração no pH sanguíneo e muscular.
Durante a fase de recuperação ativa após a realização de um combate, sugere-se que mentalmente o indivíduo crie uma escala mental graduada entre 0 e 10 sendo 0 considerado ausência de cansaço e 10 o cansaço total percebido pelo indivíduo ao término da luta. As atividades físicas durante a recuperação ativa devem receber notas entre 3 e 4, ou seja, devem ser consideradas leves, quando se toma por base o cansaço percebido após a luta. Permanecer em repouso após o término de cada luta não favorece a diminuição do lactato, promovendo as alterações orgânicas anteriormente mencionadas.
Sabe-se também que atletas de judô que apresentem bom condicionamento aeróbio, obtido por meio de atividades de característica contínua, utilizando grandes grupos musculares, com intensidade moderada e maiores períodos de realização (superiores a 30 minutos) tem maior capacidade de remoção de lactato. São exemplos de atividades aeróbias as atividades de corrida, ciclismo e natação. No caso do judô, o treino aeróbio deve obrigatoriamente estar associado aos treinos de potência e força. O menor acúmulo de lactato nos indivíduos aerobiamente condicionados está relacionado a fatores como menores concentrações plasmáticas de adrenalina e menor utilização de glicogênio muscular.
Interessante ressaltar que a concentração de lactato sanguíneo em atletas vencedores de seus combates é menor, quando comparada à concentração de lactato dos perdedores das lutas, segundo estudo realizado por Cavazani, em 1991.
Com relação ao desempenho durante torneios, quando se comparou a realização de recuperação ativa com a recuperação passiva, observaram-se melhores resultados, do ponto de vista técnico, nos atletas envolvidos no processo de recuperação ativa, principalmente quando os intervalos entre as lutas não superavam 6 minutos.
Referências bibliográficas:
CAVAZANI, R.N. Lactato antes e após sucessivos combates de judô. Rio Claro, 1991. Monografia (Bacharelado em Educação Física) – Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista.
CALLISTER, R. et al. Physiological and performance responses to overtraining in elite judo athletes. Medicine and Science in Sports Medicine, V. 22, p. 196-203, 1991.
FRANCHINI, E. Tipo de recuperação após a luta, diminuição do lactato e desempenho posterior: implicações para o judô. São Paulo, 2001. Tese de Doutorado (Doutorado em Educação Física) – Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.

Análise do Mercado de Trabalho em Fisioterapia Hospitalar

Prof. Dr. Giulliano Gardenghi

Coordenador científico do CEAFI Pós-graduação

 

A resolução-RDC Nº 7, de 24 de fevereiro de 2010 da ANVISA determina que o profissional coordenador do serviço de fisioterapia em terapia intensiva deve ser especialista em Fisioterapia Cardiopulmonar e/ou Terapia Intensiva, além de também regulamentar a necessidade de no mínimo 01 (um) fisioterapeuta para cada 10 (dez) leitos ou fração, nos turnos matutino, vespertino e noturno. Esse foi um grande avanço para os fisioterapeutas que atuam junto ao ambiente hospitalar, pois sem dúvida garantiu maior empregabilidade e mais chances profissionais para os interessados. De fato, nos últimos anos, temos visto inúmeras vagas surgindo no mercado, sejam elas na iniciativa privada ou ainda em serviços públicos.
No momento do processo seletivo, tem de se considerar um fator fundamental. A capacidade técnica e a experiência profissional do candidato à vaga. É nesse momento que tenho notado, como gestor de diversos serviços hospitalares, que existe um desequilíbrio entre o número de indivíduos que prestam as provas e o conhecimento dos mesmos com relação à prática da Fisioterapia no ambiente crítico, que permeia os hospitais de nosso país.
Não é comum que um serviço de grande porte contrate o fisioterapeuta que seja apenas graduado. Creio que nos dias atuais, seja mandatório que o candidato à vaga tenha ao menos um curso de Especialização relacionado à área hospitalar. Esses cursos podem ser ainda complementados por cursos de aperfeiçoamento, dando-se destaque para programas que englobem ventilação mecânica, mobilização precoce, interpretação de exames complementares, Fisiologia do Exercício e outros.
Com base nesse cenário vejo hoje um grande problema. Muitas vezes o candidato se apresenta para a prova portando um diploma de especialização, mas infelizmente, no momento da avaliação teórica e prática, não consegue ter um desempenho considerado superior ao daquele aluno oriundo apenas da graduação. Soa estranho, mas é fato.
Motivado por essa percepção resolvi escrever esse artigo. A você que tenha interesse em trabalhar na área hospitalar. Escolha bem onde estudar. Converse com alunos que já cursaram a escola que pré-selecionou e veja o
que os mesmos acharam das aulas que tiveram. Busque conhecer, nos grandes hospitais, quais os critérios que são usados em uma seleção. Tente perceber de onde provém as pessoas que são contratadas, quais cursos fizeram e onde estudaram. Literalmente perguntar se o curso em questão satisfez ao critério de “agregar valor” a carreira, no sentido intelectual e porque não, financeiro também.
Aceitar a responsabilidade de prestar assistência fisioterapêutica dentro de um hospital significa lidar com situações complexas eventualmente, onde a falta de conhecimento pode implicar em complicações e desfechos negativos, como maior tempo de internação, maior incidência de infecções e porque não, na morte do doente sob seus cuidados. Todos precisamos de capacitação constante, na busca pela excelência.
Em resumo, o ambiente hospitalar é encantador ao fisioterapeuta. Pode proporcionar a sensação de fazer o bem de maneira ímpar. Dessa maneira, a você que está lendo esse texto. Seja capaz. Esteja apto a desempenhar seu papel. Para tal, costumo dizer que existem quatro coisas que podem ajudar:

1) Ter bons professores
2) Estudar
3) Estudar
4) Estudar

Assim você será um fisioterapeuta hospitalar melhor e terá as melhores vagas.

Capacidade de redação dos estudantes brasileiros. Reflexão sobre o resultado do ENEM 2014.

Capacidade de redação dos estudantes brasileiros. Reflexão sobre o resultado do ENEM 2014.

Giulliano Gardenghi

Nesta terça-feira (13 de janeiro de 2015) durante coletiva de imprensa com Cid Gomes, atual ministro da Educação, e o presidente do Inep, Francisco Soares, divulgou-se os números do ENEM 2014 (Exame Nacional do Ensino Médio).

Não me causou espanto, mas sim inquietação, no que tange à redação, a pontuação obtida pelos candidatos (lembrando que 6.193.565 candidatos realizaram a prova).

Seguem os números, considerando uma escala que vai de 0 a 1000:

Notas ZERO = 529.374 candidatos (8,55%)

Notas entre 901 e 999 = 35.719 candidatos (0,58%)

Notas máximas (1000 pontos) = 250 candidatos (0,004%).

Fazendo alguns cálculos básicos, obtive o seguinte valor:

Para cada aluno que obteve a nota máxima na redação, houve 24.773 alunos que não obtiveram tal feito. A prova de redação teve como tema “Publicidade infantil em questão no Brasil”, assunto amplo, da comunicação e os limites da comunicação, que envolve a discussão sobre liberdade de expressão, de um lado, e proteção às crianças, de outro.

Mais do que o tema proposto em si, quero discutir aqui um fato verificado por mim em um site de notícias: Estudantes ‘nota 1.000’ na redação do Enem revelam o segredo do sucesso. Apenas 250 alunos entre 6,2 milhões conseguiram nota máxima na redação.

Muita leitura, prática e paixão pela escrita ajudaram na hora da prova.

Fonte: Portal G1 (http://g1.globo.com/educacao/enem/2014/noticia/2015/01/estudantes-nota-1000-na-redacao-do-enem-revelam-o-segredo-do-sucesso.html)

Alguns depoimentos de candidatos nota 1000.

Treino e dedicação

Treinamento e dedicação são as dicas da carioca Paula Freire, de 19 anos, para conquistar a nota 1.000 na redação do Enem. Ela chorou muito quando soube que estava entre 250 estudantes de todo o país a conseguir a nota máxima.

“Fiz muita redação porque sei que quem treina mais sempre escreve melhor.”

A estudante Andréia Lira, 18 anos, do Recife (PE) tentava fazer pelo menos umaredação por semana.

Leitura e ato da escrita são fundamentais

Luis Arthur Novais Haddad, de 19 anos, de Juiz de Fora (MG) sobre a redação: “Importante é ler bastante e escrever para adquirir o hábito e ter um bom vocabulário. A leitura é fundamental para um bom texto.”

O costume de ler desde pequeno é apontado por André Diniz, de 17 anos, de Natal (RN), como principal fator para alcançar a nota máxima na redação do Enem. “Acredito que a leitura foi o diferencial. Eu costumava ler desde pequeno e o desenvolvimento na escrita foi natural.

Coloquei esses depoimentos aqui para ressaltar o que é comum nos indivíduos de maior êxito. TREINO; DEDICAÇÃO; LEITURA, ATO DE ESCREVER. Note que citei quatro indivíduos, cujos nomes estavam on line, recebendo os louros da conquista.

Com certeza em suas ruas, bairros, cidades, estados, haverá matérias sobre os outros 246 que também receberam o tão almejado 1000. Com certeza para eles atingirem aos seus objetivos (entrar numa boa universidade pública, no curso de seus sonhos) será mais fácil, uma vez que a redação tem grande peso no resultado final do ENEM.

Por outro lado, busquei e não encontrei nenhuma reportagem que falava dos outros 6.193.315 candidatos que não chegaram ao topo na prova. Nenhum dos 529.374 candidatos que tirou ZERO teve o nome citado.

Fica aqui a seguinte mensagem:

Faça tudo o que puder pelo seu objetivo, seja ele um novo emprego, uma promoção dentro do atual serviço, aquisição de conhecimentos novos para um melhor desempenho profissional, ou outros. Esse objetivo só se tornará realidade se você se dedicar, treinar, buscar conhecer ao máximo o que é necessário para atingir a meta que deseja para sua vida. Quando achar que está se esforçando ao máximo, busque dentro de você e nas pessoas de quem gosta e que vivem ao seu redor (amigos, família, e porque não, seus professores), a energia necessária para fazer ainda mais. Lembre-se de que para ficar a frente dos seus concorrentes (que não se dedicarem como você), é fundamental que dê seu máximo, pelo maior tempo possível.

Fazendo isso, tenha uma certeza. Você chegará lá. Onde quer que seja, com certeza você chegará lá!

Aos estudos!

Necessidade de Traqueostomia Eletiva para Pacientes Portadores de ELA Bulbar

A Esclerose Lateral Amiotrófica-ELA pode apresentar seu início de formas variadas, em membros superiores ou inferiores ou ambos. Mas, na ELA de início Bulbar os comprometimentos inicialmente apresentados são: deglutição, fala e mobilidades de boca e face. O envolvimento Bulbar pode ser devido à degeneração do neurônio motor inferior (paralisia bulbar), do superior (paralisia pseudobulbar) ou de ambos. A Paralisia Bulbar é associada com a paralisia facial e dificuldade de movimento palatal com atrofia, fraqueza e fasciculação da língua o que ocasiona a dificuldade de deglutição e de fala. Os sintomas caracterizados como bulbares acontecem devido às fraquezas especificas na musculatura da região orofaríngea, além de músculos faciais, língua e lábios.

Em todas as avaliações respiratórias, médicos e profissionais fisioterapeutas solicitam o exame de prova de função pulmonar para avaliação da capacidade pulmonar e da força respiratória. Porém, especificamente no caso da ELA Bulbar a fraqueza da musculatura de vedamento da boca, a dificuldade de gerar volume para o exame e a presença do ruído glótico dificultam o resultado e muitas vezes levam a abordagens e condutas médicas equivocadas.

O paciente com ELA Bulbar apresenta dificuldade respiratória por comprometimento da abertura da via aérea superior, ou seja, ocorre uma resistência na região laringotraqueal que faz com que o ar tenha dificuldade para passar. Na verdade, a maioria desses pacientes apresentam boa força de diafragma e de membros superiores e inferiores, muitos ainda deambulam sem auxílio.

As terapias auxiliares na manutenção da capacidade pulmonar, tais como: a capacidade de insuflação máxima e a Ventilação Não Invasiva-VNI as vezes não oferecem muito sucesso, devido à obstrução ser local. E muitas vezes o agravo da dificuldade respiratória acontece quando o paciente está deitado ou dormindo.

Neste caso especificamente de ELA Bulbar, o procedimento mais indicado é a traqueostomia eletiva (agendada), que é a realização de uma abertura na via aérea do pescoço que faz com que a resistência e a obstrução deixem de acontecer, bem como a dificuldade respiratória. Alguns pacientes que ainda preservam a força do diafragma podem permanecer até alguns períodos sem assistências ventilatória (Bipap). A opção pela traqueostomia precoce minimiza as alterações que podem ocorrer se o paciente apresentar algum quadro de infecção respiratória que necessite hospitalização e possível entubação. No caso da traqueostomia eletiva, o paciente interna, sem complicações respiratórias, realiza o procedimento e retorna ao quarto ou enfermaria sem necessitar de UTI.

As dificuldades de aceitação de procedimentos mais invasivos como traqueostomia por parte do paciente e da família acabam por ocasionar riscos desnecessários. Desta forma, se o paciente com ELA Bulbar apresentar as situações abaixo:

a) Dificuldade importante para permanecer deitado;

b) Não conseguir dormir;

c) Quantidade aumentada de saliva;

d) Dificuldade para deglutir e a

e) Ventilação Não Inasiva-VNI (Bipap) não tiver auxiliando no descanso respiratório.

A sugestão é que converse com seu médico sobre a possibilidade da realização da traqueostomia precoce para manutenção da abertura da via aérea e melhora dos sintomas respiratórios. E lembre-se, neste caso é fundamental a colocação de uma cânula que tenha endocânula e que possua a forma de balonete de baixa pressão e alto volume, o fabricante poderá oferecer orientações. Em relação à realização da polissonografia no paciente de ELA Bulbar o cuidado deve ser redobrado, pois a dificuldade de dormir acontece devido à apneia ocasionada pela obstrução local e a avaliação com uso do CPAP pode aumentar a dificuldade respiratória.

E muitas vezes o texto da leitura dos dados do exame não é finalizado por alterações que a dificuldade de deglutir a saliva pode ocasionar.

A gastrostomia e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

No intuito de proporcionar maiores informações aos pacientes portadores de ELA e, desta forma, mais cuidado, resolvi escrever este “post”. Todo ser humano possui uma relação muito forte entre a comida e o prazer. Muitas comemorações se concentram no alimento. A progressão da ELA acontece e muitos pacientes passam pelo questionamento de fazer ou não a gastrostomia. Muitos se perguntam: “mas eu não poderei mais comer pela boca”?

Precisamos avaliar as consequências desta decisão. Nos casos de doença com comprometimento bulbar, o primeiro sinal será a disfunção da deglutição, o que ocasiona a broncoaspiração, ou seja, o alimento cai de forma discreta no pulmão provocando engasgos e tosses. As consequências desses episódios são as infecções respiratórias que podem ocorrer, como a pneumonia por broncoaspiração, por exemplo. Esta é uma situação grave que cursa com grande dificuldade respiratória e, na maioria das vezes, ocasiona necessidade de ventilação invasiva e traqueostomia.

Nos casos onde o acometimento primário não é bulbar, este problema demora mais a acontecer. Os pacientes apresentam dificuldade de movimento de membros, mas a capacidade do pulmão está preservada e, por isso, este sintoma não aparece precocemente.

Então, qual o melhor momento para se fazer uma gastrostomia?

A gastrostomia é um procedimento invasivo de colocação de uma sonda de alimentação no estômago. Muitas vezes, e dependendo da equipe médica, é realizado no centro cirúrgico sob sedação, através de uma via endoscópica. É necessário que o paciente tenha pelo menos 50% da capacidade pulmonar para ser realizada sem suporte ventilatório, porém, em muitos casos é imprescindível o uso da ventilação não invasiva intra operatória.

Quanto mais cedo o paciente portador de ELA optar por esse procedimento, mais as chances de dar tudo certo!!!

Fazer a gastrostomia não significa não se alimentar mais pela boca. Muitos pacientes, após avaliação fonoaudiológica, podem continuar se alimentando normalmente, e apenas ingerir suplementos alimentares pela sonda. Esta decisão muda o curso da doença, pois o paciente bem nutrido tem maior sobrevida e menos chances de doenças respiratórias. Por isso, ao descobrir e fechar o diagnóstico da doença, converse com seu médico sobre o procedimento, não deixe esta opção como última escolha, pois os riscos aumentam com a perda da capacidade de proteção da via aérea, ou seja, a dificuldade para tossir e a baixa capacidade pulmonar podem ser grandes complicadores para a cirurgia.

Esta dica é muito valiosa e deve ser pensada sempre, pois o tratamento da ELA parte destas decisões!

Profª Alessandra Dorça