Fisioterapia Hospitalar em Pediatria e Neonatologia. Cenário atual.

Giulliano GardenghiFisioterapia Hospitalar em Pediatria e Neonatologia. Cenário atual.

Prof. Dr. Giulliano Gardenghi

Coordenador Científico do CEAFI Pós-graduação

Consultor Técnico em Pesquisa do Hospital e Maternidade São Cristóvão – São Paulo/SP

(ONA-3)

Em 2010, foi publicada, no Diário Oficial da União, a obrigatoriedade de especialização em Neonatologia e Pediatria para atuação de fisioterapeutas que queiram trabalhar em hospitais. Importante ressaltar que Fisioterapeutas especialistas em cuidados intensivos pediátricos e neonatais são considerados profissionais recentes no Brasil. Apenas no século XXI é que se difundiram cursos pelo país que visavam capacitar o Fisioterapeuta para atuação clínica de qualidade. Antes do ano 2000, poucos núcleos se dedicavam ao desenvolvimento científico dessa especialidade.

Ter especialistas devidamente qualificados sem dúvida é um diferencial para a melhor assistência e segurança dos pacientes pediátricos e neonatais admitidos em ambiente hospitalar/crítico.

São várias as áreas onde o Fisioterapeuta atua, sendo o mesmo responsável pelo diagnóstico cinético-funcional e pelas diversas formas de tratamento que envolvam a reabilitação física. No ambiente hospitalar costuma-se definir as intervenções de tratamento em Fisioterapia respiratória e Fisioterapia motora. É comum que o profissional Fisioterapeuta, em equipe multiprofissional, atue também em situações como oxigenioterapia, assistência ventilatória mecânica, seja esta invasiva e/ou não invasiva, incluindo aí o desmame e extubação do paciente, manejo das pressões de balonete e outros.

Em 2012, o Departamento de Fisioterapia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) elaborou um guia de recomendações, visando padronizar no Brasil a assistência prestada ao paciente neonatal e/ou pediátrico. Dentre elas seguem abaixo algumas consideradas fundamentais para que se possa realizar a Fisioterapia nessa população:

 Recomenda-se a aplicação do aumento de fluxo expiratório (AFE) de forma lenta para recém nascidos (RN) e de forma lenta ou rápida para lactentes com diagnóstico de bronquiolite aguda grave; sugere-se essa intervenção pelo menos uma vez ao dia.

 Recomenda-se a utilização da hiperinsuflação manual (HM) com AMBU, associada ou não a vibrocompressão, para a mobilização e o deslocamento de secreção das vias aéreas em pediatria e neonatologia.

 A percussão torácica aplicada em RNs imediatamente após a extubação não é recomendada, assim como não recomenda-se que as crianças com fibrose cística submetidas a anestesia e intubação intratraqueal no pré operatório sejam
submetidas a técnicas de desobstrução de vias aéreas como drenagem postural e/ou vibração associadas ou não a HM com aspiração. Estas técnicas melhoram em curto prazo a saturação da oxihemoglobina (SpO2) de crianças com insuficiência ventilatória aguda ou crônica e aumentam o volume corrente em crianças com bronquiolite aguda.

 Considerando a reexpansão pulmonar recomenda-se a aplicação da HM com bolsa autoinflável e de suas combinações em neonatologia e pediatria com essa finalidade, assim como é recomendada a realização de compressões torácicas seguidas de liberação lenta e completa da caixa torácica em RNs pré-termo.

 Recomenda-se posicionar lactentes e crianças cronicamente enfermas (câncer e doenças neurológicas) sob ventilação mecânica e com doença respiratória grave (PaO2/FiO2 < 200) em posição prona elevada com coxins de gel nos ombros e nos quadris. O mesmo vale após cirurgias toracoabdominais, recomenda-se, desde que observadas as precauções em relação à ferida operatória. Já durante o desmame, a posição prona não deve ser adotada.

 No que tange à aspiração traqueal, recomenda-se a hiperóxia (aumento de 10% dos valores basais da fração inspirada de oxigênio) em RNs pré-termo para evitar a hipoxemia durante e após a aspiração intratraqueal para manter uma SpO2 entre 88 e 92%. Recomenda-se ainda utilizar manobras de contenção
postural durante procedimentos de aspiração em RNs pré-termo.

Importante ressaltar que todas as técnicas aqui descritas não são desprovidas de contraindicações e de efeitos adversos, devendo o Fisioterapeuta estar devidamente instruído para que assim possa realizá-las de maneira segura e eficaz. São consideradas contraindicações da maioria dessas técnicas: RNs de extremo baixo peso e casos de
doença de refluxo gastroesofágico. Efeitos adversos descritos na literatura envolvem uma eventual redução na pressão arterial de oxigênio (PaO2), aumento da frequência respiratória e redução do tempo expiratório, dentre outros.

Em resumo, a Fisioterapia Neonatal e Pediátrica assume, nos dias de hoje, papel fundamental na busca pelo melhor prognóstico clínico/funcional do paciente. É essencial que os serviços hospitalares de qualidade se preocupem com tal especialidade, buscando capacitar e atualizar continuamente a equipe fisioterapêutica assistencial.

EFEITOS DA RECUPERAÇÃO ATIVA APÓS LUTA DE JUDÔ

EFEITOS DA RECUPERAÇÃO ATIVA APÓS LUTA DE JUDÔ

Prof. Dr. Giulliano Gardenghi
Coordenador Científico do CEAFI Pós-graduação – Goiânia/GO.
Faixa Preta – 2º DAN – Associação de Judô Messias – São Paulo/SP.
E-mail para contato: coordenacao.cientifica@ceafi.com.br

O suporte fisiológico para um bom desempenho em torneios de judô envolve condicionamento físico com foco no aumento da potência e capacidade anaeróbias, sem negligenciar o aumento da capacidade aeróbia, além do trabalho de flexibilidade. Resumidamente podemos definir a capacidade anaeróbia como produção de trifosfato de adenosina (ATP) baseada no mecanismo de glicólise anaeróbia, o que por sua vez pode resultar em altas taxas de produção de lactato. Tal fenômeno ocorre sempre que se utilizam as fibras musculares relacionadas à geração de força (fibras brancas – tipo IIx), de recrutamento muito comum durante a prática do judô.
Diversos autores demonstram que atletas de judô apresentam aumento significante do lactato após uma luta. O aumento do lactato está relacionado à pior desempenho esportivo, por aumento da acidose no meio intramuscular. A acidose relaciona-se à fadiga e a consequente perda na capacidade de geração de força. Como numa competição de judô o atleta pode se deparar com diversos combates no mesmo dia, muitas vezes com intervalos curtos entre os mesmos, encontrar uma maneira pela qual se consiga diminuir as taxas de lactato presentes no organismo é fundamental para garantir melhor desempenho técnico durante a competição.
O lactato produzido após o exercício normalmente é eliminado do corpo durante a fase de recuperação. Estudos sugerem que a remoção do lactato varia de indivíduo para indivíduo, sendo que fatores como nível de treinamento, genética e mesmo preparo psicológico podem influir nessa capacidade.
Em resumo, após uma luta de judô ocorre grande produção de lactato. Muitas vezes os intervalos entre uma luta e outra numa competição são inferiores a 30 minutos. Tal fator pode resultar em maiores níveis de acidose sanguínea e muscular, devido ao acúmulo do lactato após cada combate, com prejuízo na capacidade de geração de força, culminando com pior desempenho muscular exatamente no momento em que se atingem as finais do torneio.
Bioquimicamente, a remoção do lactato sanguíneo depende de fatores como a oxidação do lactato para gás carbônico e água, nos músculos ativos e inativos, da gliconeogênese hepática e da reconversão do lactato para glicogênio, via glicogênese muscular.
Diversas técnicas são propostas para otimizar a redução do lactato após realização de exercícios. Como exemplos, podemos mencionar a realização de massagens ao término dos combates, a inalação de oxigênio e principalmente, a recuperação ativa entre as lutas. Entende-se como recuperação ativa a manutenção do exercício após a luta, numa intensidade bastante inferior aquela presente durante o combate. Manter a realização de atividades físicas leves, de característica aeróbia, após uma luta, utilizando grandes grupos musculares ou ainda grupos musculares que não foram tão solicitados durante a prática de exercício de alta intensidade ajuda a elevar a taxa metabólica do indivíduo, sem aumentar a glicólise anaeróbia e sem promover consequente acúmulo de lactato. A taxa metabólica elevada, associada a um maior fluxo de sangue para os músculos em atividade, proveniente das elevações da pressão arterial e da frequência cardíaca decorrentes da atividade física leve ajudam no fenômeno de oxidação, onde o oxigênio atuará na reconversão do lactato para ácido pirúvico, resultando em menor alteração no pH sanguíneo e muscular.
Durante a fase de recuperação ativa após a realização de um combate, sugere-se que mentalmente o indivíduo crie uma escala mental graduada entre 0 e 10 sendo 0 considerado ausência de cansaço e 10 o cansaço total percebido pelo indivíduo ao término da luta. As atividades físicas durante a recuperação ativa devem receber notas entre 3 e 4, ou seja, devem ser consideradas leves, quando se toma por base o cansaço percebido após a luta. Permanecer em repouso após o término de cada luta não favorece a diminuição do lactato, promovendo as alterações orgânicas anteriormente mencionadas.
Sabe-se também que atletas de judô que apresentem bom condicionamento aeróbio, obtido por meio de atividades de característica contínua, utilizando grandes grupos musculares, com intensidade moderada e maiores períodos de realização (superiores a 30 minutos) tem maior capacidade de remoção de lactato. São exemplos de atividades aeróbias as atividades de corrida, ciclismo e natação. No caso do judô, o treino aeróbio deve obrigatoriamente estar associado aos treinos de potência e força. O menor acúmulo de lactato nos indivíduos aerobiamente condicionados está relacionado a fatores como menores concentrações plasmáticas de adrenalina e menor utilização de glicogênio muscular.
Interessante ressaltar que a concentração de lactato sanguíneo em atletas vencedores de seus combates é menor, quando comparada à concentração de lactato dos perdedores das lutas, segundo estudo realizado por Cavazani, em 1991.
Com relação ao desempenho durante torneios, quando se comparou a realização de recuperação ativa com a recuperação passiva, observaram-se melhores resultados, do ponto de vista técnico, nos atletas envolvidos no processo de recuperação ativa, principalmente quando os intervalos entre as lutas não superavam 6 minutos.
Referências bibliográficas:
CAVAZANI, R.N. Lactato antes e após sucessivos combates de judô. Rio Claro, 1991. Monografia (Bacharelado em Educação Física) – Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista.
CALLISTER, R. et al. Physiological and performance responses to overtraining in elite judo athletes. Medicine and Science in Sports Medicine, V. 22, p. 196-203, 1991.
FRANCHINI, E. Tipo de recuperação após a luta, diminuição do lactato e desempenho posterior: implicações para o judô. São Paulo, 2001. Tese de Doutorado (Doutorado em Educação Física) – Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.

Análise do Mercado de Trabalho em Fisioterapia Hospitalar

Prof. Dr. Giulliano Gardenghi

Coordenador científico do CEAFI Pós-graduação

 

A resolução-RDC Nº 7, de 24 de fevereiro de 2010 da ANVISA determina que o profissional coordenador do serviço de fisioterapia em terapia intensiva deve ser especialista em Fisioterapia Cardiopulmonar e/ou Terapia Intensiva, além de também regulamentar a necessidade de no mínimo 01 (um) fisioterapeuta para cada 10 (dez) leitos ou fração, nos turnos matutino, vespertino e noturno. Esse foi um grande avanço para os fisioterapeutas que atuam junto ao ambiente hospitalar, pois sem dúvida garantiu maior empregabilidade e mais chances profissionais para os interessados. De fato, nos últimos anos, temos visto inúmeras vagas surgindo no mercado, sejam elas na iniciativa privada ou ainda em serviços públicos.
No momento do processo seletivo, tem de se considerar um fator fundamental. A capacidade técnica e a experiência profissional do candidato à vaga. É nesse momento que tenho notado, como gestor de diversos serviços hospitalares, que existe um desequilíbrio entre o número de indivíduos que prestam as provas e o conhecimento dos mesmos com relação à prática da Fisioterapia no ambiente crítico, que permeia os hospitais de nosso país.
Não é comum que um serviço de grande porte contrate o fisioterapeuta que seja apenas graduado. Creio que nos dias atuais, seja mandatório que o candidato à vaga tenha ao menos um curso de Especialização relacionado à área hospitalar. Esses cursos podem ser ainda complementados por cursos de aperfeiçoamento, dando-se destaque para programas que englobem ventilação mecânica, mobilização precoce, interpretação de exames complementares, Fisiologia do Exercício e outros.
Com base nesse cenário vejo hoje um grande problema. Muitas vezes o candidato se apresenta para a prova portando um diploma de especialização, mas infelizmente, no momento da avaliação teórica e prática, não consegue ter um desempenho considerado superior ao daquele aluno oriundo apenas da graduação. Soa estranho, mas é fato.
Motivado por essa percepção resolvi escrever esse artigo. A você que tenha interesse em trabalhar na área hospitalar. Escolha bem onde estudar. Converse com alunos que já cursaram a escola que pré-selecionou e veja o
que os mesmos acharam das aulas que tiveram. Busque conhecer, nos grandes hospitais, quais os critérios que são usados em uma seleção. Tente perceber de onde provém as pessoas que são contratadas, quais cursos fizeram e onde estudaram. Literalmente perguntar se o curso em questão satisfez ao critério de “agregar valor” a carreira, no sentido intelectual e porque não, financeiro também.
Aceitar a responsabilidade de prestar assistência fisioterapêutica dentro de um hospital significa lidar com situações complexas eventualmente, onde a falta de conhecimento pode implicar em complicações e desfechos negativos, como maior tempo de internação, maior incidência de infecções e porque não, na morte do doente sob seus cuidados. Todos precisamos de capacitação constante, na busca pela excelência.
Em resumo, o ambiente hospitalar é encantador ao fisioterapeuta. Pode proporcionar a sensação de fazer o bem de maneira ímpar. Dessa maneira, a você que está lendo esse texto. Seja capaz. Esteja apto a desempenhar seu papel. Para tal, costumo dizer que existem quatro coisas que podem ajudar:

1) Ter bons professores
2) Estudar
3) Estudar
4) Estudar

Assim você será um fisioterapeuta hospitalar melhor e terá as melhores vagas.

Capacidade de redação dos estudantes brasileiros. Reflexão sobre o resultado do ENEM 2014.

Capacidade de redação dos estudantes brasileiros. Reflexão sobre o resultado do ENEM 2014.

Giulliano Gardenghi

Nesta terça-feira (13 de janeiro de 2015) durante coletiva de imprensa com Cid Gomes, atual ministro da Educação, e o presidente do Inep, Francisco Soares, divulgou-se os números do ENEM 2014 (Exame Nacional do Ensino Médio).

Não me causou espanto, mas sim inquietação, no que tange à redação, a pontuação obtida pelos candidatos (lembrando que 6.193.565 candidatos realizaram a prova).

Seguem os números, considerando uma escala que vai de 0 a 1000:

Notas ZERO = 529.374 candidatos (8,55%)

Notas entre 901 e 999 = 35.719 candidatos (0,58%)

Notas máximas (1000 pontos) = 250 candidatos (0,004%).

Fazendo alguns cálculos básicos, obtive o seguinte valor:

Para cada aluno que obteve a nota máxima na redação, houve 24.773 alunos que não obtiveram tal feito. A prova de redação teve como tema “Publicidade infantil em questão no Brasil”, assunto amplo, da comunicação e os limites da comunicação, que envolve a discussão sobre liberdade de expressão, de um lado, e proteção às crianças, de outro.

Mais do que o tema proposto em si, quero discutir aqui um fato verificado por mim em um site de notícias: Estudantes ‘nota 1.000’ na redação do Enem revelam o segredo do sucesso. Apenas 250 alunos entre 6,2 milhões conseguiram nota máxima na redação.

Muita leitura, prática e paixão pela escrita ajudaram na hora da prova.

Fonte: Portal G1 (http://g1.globo.com/educacao/enem/2014/noticia/2015/01/estudantes-nota-1000-na-redacao-do-enem-revelam-o-segredo-do-sucesso.html)

Alguns depoimentos de candidatos nota 1000.

Treino e dedicação

Treinamento e dedicação são as dicas da carioca Paula Freire, de 19 anos, para conquistar a nota 1.000 na redação do Enem. Ela chorou muito quando soube que estava entre 250 estudantes de todo o país a conseguir a nota máxima.

“Fiz muita redação porque sei que quem treina mais sempre escreve melhor.”

A estudante Andréia Lira, 18 anos, do Recife (PE) tentava fazer pelo menos umaredação por semana.

Leitura e ato da escrita são fundamentais

Luis Arthur Novais Haddad, de 19 anos, de Juiz de Fora (MG) sobre a redação: “Importante é ler bastante e escrever para adquirir o hábito e ter um bom vocabulário. A leitura é fundamental para um bom texto.”

O costume de ler desde pequeno é apontado por André Diniz, de 17 anos, de Natal (RN), como principal fator para alcançar a nota máxima na redação do Enem. “Acredito que a leitura foi o diferencial. Eu costumava ler desde pequeno e o desenvolvimento na escrita foi natural.

Coloquei esses depoimentos aqui para ressaltar o que é comum nos indivíduos de maior êxito. TREINO; DEDICAÇÃO; LEITURA, ATO DE ESCREVER. Note que citei quatro indivíduos, cujos nomes estavam on line, recebendo os louros da conquista.

Com certeza em suas ruas, bairros, cidades, estados, haverá matérias sobre os outros 246 que também receberam o tão almejado 1000. Com certeza para eles atingirem aos seus objetivos (entrar numa boa universidade pública, no curso de seus sonhos) será mais fácil, uma vez que a redação tem grande peso no resultado final do ENEM.

Por outro lado, busquei e não encontrei nenhuma reportagem que falava dos outros 6.193.315 candidatos que não chegaram ao topo na prova. Nenhum dos 529.374 candidatos que tirou ZERO teve o nome citado.

Fica aqui a seguinte mensagem:

Faça tudo o que puder pelo seu objetivo, seja ele um novo emprego, uma promoção dentro do atual serviço, aquisição de conhecimentos novos para um melhor desempenho profissional, ou outros. Esse objetivo só se tornará realidade se você se dedicar, treinar, buscar conhecer ao máximo o que é necessário para atingir a meta que deseja para sua vida. Quando achar que está se esforçando ao máximo, busque dentro de você e nas pessoas de quem gosta e que vivem ao seu redor (amigos, família, e porque não, seus professores), a energia necessária para fazer ainda mais. Lembre-se de que para ficar a frente dos seus concorrentes (que não se dedicarem como você), é fundamental que dê seu máximo, pelo maior tempo possível.

Fazendo isso, tenha uma certeza. Você chegará lá. Onde quer que seja, com certeza você chegará lá!

Aos estudos!

Necessidade de Traqueostomia Eletiva para Pacientes Portadores de ELA Bulbar

A Esclerose Lateral Amiotrófica-ELA pode apresentar seu início de formas variadas, em membros superiores ou inferiores ou ambos. Mas, na ELA de início Bulbar os comprometimentos inicialmente apresentados são: deglutição, fala e mobilidades de boca e face. O envolvimento Bulbar pode ser devido à degeneração do neurônio motor inferior (paralisia bulbar), do superior (paralisia pseudobulbar) ou de ambos. A Paralisia Bulbar é associada com a paralisia facial e dificuldade de movimento palatal com atrofia, fraqueza e fasciculação da língua o que ocasiona a dificuldade de deglutição e de fala. Os sintomas caracterizados como bulbares acontecem devido às fraquezas especificas na musculatura da região orofaríngea, além de músculos faciais, língua e lábios.

Em todas as avaliações respiratórias, médicos e profissionais fisioterapeutas solicitam o exame de prova de função pulmonar para avaliação da capacidade pulmonar e da força respiratória. Porém, especificamente no caso da ELA Bulbar a fraqueza da musculatura de vedamento da boca, a dificuldade de gerar volume para o exame e a presença do ruído glótico dificultam o resultado e muitas vezes levam a abordagens e condutas médicas equivocadas.

O paciente com ELA Bulbar apresenta dificuldade respiratória por comprometimento da abertura da via aérea superior, ou seja, ocorre uma resistência na região laringotraqueal que faz com que o ar tenha dificuldade para passar. Na verdade, a maioria desses pacientes apresentam boa força de diafragma e de membros superiores e inferiores, muitos ainda deambulam sem auxílio.

As terapias auxiliares na manutenção da capacidade pulmonar, tais como: a capacidade de insuflação máxima e a Ventilação Não Invasiva-VNI as vezes não oferecem muito sucesso, devido à obstrução ser local. E muitas vezes o agravo da dificuldade respiratória acontece quando o paciente está deitado ou dormindo.

Neste caso especificamente de ELA Bulbar, o procedimento mais indicado é a traqueostomia eletiva (agendada), que é a realização de uma abertura na via aérea do pescoço que faz com que a resistência e a obstrução deixem de acontecer, bem como a dificuldade respiratória. Alguns pacientes que ainda preservam a força do diafragma podem permanecer até alguns períodos sem assistências ventilatória (Bipap). A opção pela traqueostomia precoce minimiza as alterações que podem ocorrer se o paciente apresentar algum quadro de infecção respiratória que necessite hospitalização e possível entubação. No caso da traqueostomia eletiva, o paciente interna, sem complicações respiratórias, realiza o procedimento e retorna ao quarto ou enfermaria sem necessitar de UTI.

As dificuldades de aceitação de procedimentos mais invasivos como traqueostomia por parte do paciente e da família acabam por ocasionar riscos desnecessários. Desta forma, se o paciente com ELA Bulbar apresentar as situações abaixo:

a) Dificuldade importante para permanecer deitado;

b) Não conseguir dormir;

c) Quantidade aumentada de saliva;

d) Dificuldade para deglutir e a

e) Ventilação Não Inasiva-VNI (Bipap) não tiver auxiliando no descanso respiratório.

A sugestão é que converse com seu médico sobre a possibilidade da realização da traqueostomia precoce para manutenção da abertura da via aérea e melhora dos sintomas respiratórios. E lembre-se, neste caso é fundamental a colocação de uma cânula que tenha endocânula e que possua a forma de balonete de baixa pressão e alto volume, o fabricante poderá oferecer orientações. Em relação à realização da polissonografia no paciente de ELA Bulbar o cuidado deve ser redobrado, pois a dificuldade de dormir acontece devido à apneia ocasionada pela obstrução local e a avaliação com uso do CPAP pode aumentar a dificuldade respiratória.

E muitas vezes o texto da leitura dos dados do exame não é finalizado por alterações que a dificuldade de deglutir a saliva pode ocasionar.

A gastrostomia e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

No intuito de proporcionar maiores informações aos pacientes portadores de ELA e, desta forma, mais cuidado, resolvi escrever este “post”. Todo ser humano possui uma relação muito forte entre a comida e o prazer. Muitas comemorações se concentram no alimento. A progressão da ELA acontece e muitos pacientes passam pelo questionamento de fazer ou não a gastrostomia. Muitos se perguntam: “mas eu não poderei mais comer pela boca”?

Precisamos avaliar as consequências desta decisão. Nos casos de doença com comprometimento bulbar, o primeiro sinal será a disfunção da deglutição, o que ocasiona a broncoaspiração, ou seja, o alimento cai de forma discreta no pulmão provocando engasgos e tosses. As consequências desses episódios são as infecções respiratórias que podem ocorrer, como a pneumonia por broncoaspiração, por exemplo. Esta é uma situação grave que cursa com grande dificuldade respiratória e, na maioria das vezes, ocasiona necessidade de ventilação invasiva e traqueostomia.

Nos casos onde o acometimento primário não é bulbar, este problema demora mais a acontecer. Os pacientes apresentam dificuldade de movimento de membros, mas a capacidade do pulmão está preservada e, por isso, este sintoma não aparece precocemente.

Então, qual o melhor momento para se fazer uma gastrostomia?

A gastrostomia é um procedimento invasivo de colocação de uma sonda de alimentação no estômago. Muitas vezes, e dependendo da equipe médica, é realizado no centro cirúrgico sob sedação, através de uma via endoscópica. É necessário que o paciente tenha pelo menos 50% da capacidade pulmonar para ser realizada sem suporte ventilatório, porém, em muitos casos é imprescindível o uso da ventilação não invasiva intra operatória.

Quanto mais cedo o paciente portador de ELA optar por esse procedimento, mais as chances de dar tudo certo!!!

Fazer a gastrostomia não significa não se alimentar mais pela boca. Muitos pacientes, após avaliação fonoaudiológica, podem continuar se alimentando normalmente, e apenas ingerir suplementos alimentares pela sonda. Esta decisão muda o curso da doença, pois o paciente bem nutrido tem maior sobrevida e menos chances de doenças respiratórias. Por isso, ao descobrir e fechar o diagnóstico da doença, converse com seu médico sobre o procedimento, não deixe esta opção como última escolha, pois os riscos aumentam com a perda da capacidade de proteção da via aérea, ou seja, a dificuldade para tossir e a baixa capacidade pulmonar podem ser grandes complicadores para a cirurgia.

Esta dica é muito valiosa e deve ser pensada sempre, pois o tratamento da ELA parte destas decisões!

Profª Alessandra Dorça

Orientações da Esclerose Lateral Amiotrófica

Orientações da Esclerose Lateral Amiotrófica

Dra. Alessandra Dorça

Um dos maiores problemas que vivemos no tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica são os distúrbios respiratórios. Algumas medidas realizadas pela família podem aumentar a qualidade da respiração, melhorar a tosse, manter a capacidade pulmonar e principalmente atrasar a traqueostomia. Quando um paciente chega ao meu consultório com o diagnóstico de ela, a primeira orientação fundamental é a utilização do ambu, independente da capacidade pulmonar do paciente. Mesmo com uma boa capacidade, avaliada pela espirometria, exercícios com o ambu ajudam a manter o tórax do paciente com maior mobilidade. A indicação dos exercícios com o ambu é feita por um profissional fisioterapeuta especialista em respiratória e com conhecimento da técnica. Os tipos de exercícios ajudam a aumentar a capacidade pulmonar e desta forma o paciente fala mais alto, tosse mais efetivamente e consegue retirar aquela secreção grossa que fica “grudada” como muitos pacientes reclamam. As técnicas mais efetivas com ambu se chamam capacidade de insuflação máxima (CIM), o ar é empurrado para dentro do pulmão, com a válvula do ambu fechada, podendo ser obstruída com esparadrapo, até a máxima da capacidade do paciente, ou até ele tossir. A outra técnica se chama “air stacking”, quando o cuidador ou fisioterapeuta vai empurrando “bolus” de ar ao pulmão com pausas inspiratórias. Estas técnicas são aos mais efetivas para esta doença. Outra indicação que faz toda a diferença, é o uso precoce da ventilação não invasiva, que pode ser utilizada com máscara nasal, pronga ou máscara facial. A Ventilação não invasiva é capaz de ” ventilar ” o paciente e desta forma eliminar o CO2 que fica retido no pulmão, pela dificuldade de respirar fundo. A VNI feita com BIPAP descansa a musculatura, ajuda o paciente a dormir e mantém o pulmão aberto. A adaptação precoce da VNI ajuda a minimizar o acontecimento das alterações respiratórias e minimiza a ocorrência de pneumonias. O respirador do tipo BIPAP pode ser utilizado na traqueostomia, em caso de pacientes com alteração Bulbar importante. Neste caso, o maior comprometimento do paciente é na passagem de ar pela região que chamamos de “orofaríngea”, devido a fraqueza nesta musculatura. Realizar a traqueostomia favorece a passagem do ar e diminui totalmente a dificuldade respiratória, por isso, se a doença for de início Bulbar, é importante pensar em fazer uma traqueostomia precoce e eletiva, ou sem separar que o paciente entre em insuficiência respiratória. Uma dica importantíssima é quanto ao uso do aparelho de ventilação mecânica da UTI, a musculatura do paciente de ELA se acomoda com facilidade, ou seja, uma vez colocada em ventilação controlada é difícil retornar para uma modalidade assistida do BIPAP. Por isso, na hora da traqueostomia o aparelho a ser colocado na traqueostomia imediatamente deve ser o BIPAP, aparelho que o paciente já utilizava não invasivamente. Outras dicas que favorecem a manutenção do quadro respiratório é a hidratação efetiva, para deixar a secreção fluida, vacinação para gripe e para pneumonia, tudo com orientação médica e principalmente evitar as pneumonias por broncoaspiração, quando a deglutição ficar comprometida.

“Valor” do estudo

Ao lermos o título dessa mensagem automaticamente submetemos nossos pensamentos à importância dos nossos estudos, ou seja, associando tal “valor” a uma maior qualificação e ainda a crescimento profissional. Claro que a palavra “valor” pode ser também associada ao preço a ser pago por algo. Eu prefiro sempre a primeira opção. Valor como algo que engrandece e não como preço a ser pago. Muitas pessoas confundem valor com preço. Não é a mesma coisa. Pagar por algo, como se paga por uma especialização, só vale a pena a partir do momento em que se julgue que a mesma poderá agregar valor à carreira. Dinheiro está relacionado a preço, e não a valor. O valor só existirá se o estudo adquirido apresentar algum benefício ao aluno que se propõe a pagar pelo mesmo. Perceber se seus estudos podem acrescentar valor à sua carreira é uma tarefa que exigirá do pretendente certo engajamento. Vale a pena entrar em contato com ex-alunos do curso pretendido, por exemplo, e perguntar a esses se o curso em questão satisfez a esse critério de “agregar valor” a carreira, no sentido intelectual e porque não, financeiro também. Pensar no “preço” dos estudos significa partir de um referencial que pode ser encarado negativamente. Algo como “Estudar me custou tantos Reais”. Dois exemplos práticos para embasar meu racional. Exemplo de “valor”:

1) João é formado em Fisioterapia e em seu primeiro  emprego recebe R$1.000,00 por mês. Em um momento de sua carreira, após ter trabalhado por um ano, resolver agregar mais valor ao seu currículo, cursando uma especialização. Imaginemos que o custo desse curso foi de R$15.000,00. Após ter desembolsado tal dinheiro, João se tornou mais capacitado, e pela qualidade do curso que escolheu, a competir por melhores vagas no mercado. Como resultado, conseguiu um emprego que lhe paga agora R$3.000,00 por mês, após ser aprovado em processo seletivo. Em números. No primeiro ano de sua carreira, João recebeu R$12.000,00. Cursando a sua especialização, gastou R$7.500,00/ano por dois anos, totalizando um custo final de R$15.000,00 para adquirir maior qualidade técnica e assistencial. Após isso, passou a receber anualmente R$36.000,00. A matemática é positiva, deixando claro que no exemplo acima houve ganho de “valor” intelectual e também financeiro, afinal a renda de João aumentou três vezes no mesmo período de tempo, cobrindo inclusive os custos do programa de pós-graduação. Agora imaginemos o exemplo de “preço pago” a seguir.

2) João é formado em Fisioterapia e em seu primeiro emprego recebe R$1.000,00 por mês. Em um momento de sua carreira, após ter trabalhado por um ano, resolver agregar mais valor ao seu currículo, cursando uma especialização. Imaginemos que o custo desse curso foi de R$8.000,00. Mesmo desembolsando um valor significativamente menor, João também foi considerado especialista pela faculdade que escolheu. Acontece que João não conseguiu uma vaga que lhe garantisse maior remuneração e continuou ganhando os mesmos R$1.000,00 por mês após ter terminado seu programa de pós-graduação. Daí a pergunta: O curso realizado agregou valor a João? Potencialmente não, uma vez que não resultou em maiores receitas e maior reconhecimento profissional. O “preço” pago não se refletiu em valor. Foi literalmente “dinheiro jogado fora”. Enfim, o “valor” é algo que pode ser considerado positivo. Investir em você pode resultar em maior valor no seu currículo. Para investir com segurança, procure uma instituição séria e com tradição de ensino. Procure pelos exemplos profissionais que são advindos dessa instituição. Escolha bem! Escolher errado pode resultar em pagar um “preço” alto demais pela capacitação que está buscando. Escolher errado pode significar não conseguir se tornar melhor e não aumentar seu “valor” no mercado.

 

Coordenador científico do CEAFI Pós-Graduação

Prof. Dr. Giulliano Gardenghi

coordenacao.cientifica@ceafi.com.br

Artigo 205 da Constituição Federal da República Federativa do Brasil

Artigo 205 da Constituição Federal da República Federativa do Brasil

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Abro esse texto com a menção ao artigo 205 da nossa Constituição Federal, promulgada em 1988, com a finalidade de chamar a atenção para um quadro que todo e qualquer educador em nível superior tem presenciado no seu cotidiano em sala de aula. Cada vez mais nos deparamos com alunos que ingressam no ensino superior (sim, aquele das faculdades e universidades), sem saber exatamente empregar conceitos básicos de “Educação”. Infelizmente a formação dos jovens em nosso país tem deixado a desejar em matérias como Língua Portuguesa, Matemática, Cidadania, Educação Moral (porque não?) e outras, expondo a juventude que se forma a uma realidade dura, onde mesmo graduando-se não se consegue uma boa colocação profissional, uma vez que as empresas de maior porte (e maiores salários) preferem em seus quadros jovens que possam utilizar-se de tais disciplinas na sua atuação cotidiana.

Sobram aos formandos deficitários os subempregos, com remunerações ínfimas, cargas de trabalho extremas e outras mazelas.

Engraçado notar que na própria lei a palavra “educação” é grafada em letra minúscula, enquanto a palavra “Estado” é grafada em maiúscula. Sou contra! Com base nas notícias que vemos todos os dias nos telejornais, denunciando as falcatruas e esquemas de corrupção do nosso país (ou “Estado”, se preferir) acho que deveríamos mudar a regra gramatical. Passar a escrever “Educação” em maiúscula, para chamar a atenção para um problema sério que temos nessa área. E talvez “estado” em minúscula, como se assim estivéssemos chamando a atenção dos políticos que nos governam sobre as barbáries do atual “Estado” com relação à sua conduta.

Como se assim estivéssemos deixando os políticos em “segunda época”, para reverem suas ações e condutas e então conseguir sua tão sonhada aprovação nas urnas, dada pelo povo brasileiro.

Acredito que a “Educação” de uma população tenha de ser extremamente valorizada (e quem não acredita?). Ao permitir que jovens completem o ensino médio sem estarem realmente preparados, o “estado” atribui à faculdade/universidade a responsabilidade de formar o aluno em “nível superior”. E como formar a pessoa dessa maneira? Missão árdua para os educadores, que tem de ensinar cálculo ou trigonometria a um aluno que não domina as quatro operações fundamentais da Matemática. Ou ensinar o preparo de uma peça processual de Direito a um aluno que sequer consegue escrever um ditado com palavras como “exceção”, “sequela”, “flexão” ou “enxergar”. Corrigindo provas na faculdade, no último semestre, encontrei “ecessão”, “cecúela”, “frequição” e “enchergar”.

Tem algo de errado nesse “estado” chamado Brasil. E a cada ano que passa parece que está ficando mais tarde para voltar atrás e encontrarmos o caminho, que sem dúvida, passa por melhorar a “Educação” de nosso povo. Aristóteles escreveu, entre 384 a.C. e 322 a.C.: “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”.

Aristóteles estava certo à época. Se ao menos nossos políticos conhecessem mais Aristóteles…

 

Dr. Giulliano Gardenghi

Esforços médios, resultados médios

 

Prof. Giulliano Gardenghi

Olá a todos:

A partir da data de hoje assumirei a responsabilidade de enviar a vocês novidades e textos de cunho científico ou não, para que possamos alargar nosso canal de comunicação.

Começo esse trabalho com o seguinte texto, publicado como editorial na última edição da nossa revista científica, RESC (www.rescceafi.com.br), que fala sobre desempenho profissional aliado à perseverança nos estudos. Boa leitura a todos.

Grande abraço.

Prof. Giulliano Gardenghi

e-mail: coordenacao.cientifica@ceafi.com.br

“Esforços médios, resultados médios”

Hoje no país nos deparamos com um cenário, no que tange à educação, que busca criar uma maneira de mostrar que os indicadores do ensino estão melhorando. Busca-se evidenciar o fato de que as médias obtidas pelos alunos do ensino médio e ensino superior estão cada vez maiores, em exames como o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e o ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). Mesmo entre profissionais já graduados, que buscam inclusão nos mercado de trabalho por meio de concursos públicos nota-se que os resultados obtidos em tais certames muitas vezes trazem como produto, medianas que variam entre quarenta e sessenta pontos, numa escala que parte de zero (0,0) a cem (100,0) pontos, ou seja, resultados que ficam próximos ao que consideramos a média para aprovação (50,0 pontos). Muitas vezes o próprio candidato assume que “foi relativamente bem”, uma vez que atingiu a média naquele concurso.

O que poucos sabem (e posso aqui citar tal fato por experiência adquirida ao montar diversas provas para concursos públicos) é que ao encomendar uma prova específica para determinada profissão, os órgãos públicos normalmente valem-se da seguinte metodologia:

“Caro Professor. Gostaríamos que elaborasse 25% de questões fáceis; 50% de questões médias e 25% de questões consideradas difíceis”.

Traduzindo isso: Ao atingir 50% dos pontos possíveis muitas vezes o candidato acertou as questões fáceis e metade das questões médias. Sabe-se que para atingir aprovação em concurso (de qualidade) faz-se necessária a meta de pelo menos 75% de aproveitamento, ou seja, acertar todas as questões fáceis e todas as médias. Melhor seria, para ter pela convicção da aprovação, buscar-se um aproveitamento de 87,5%, incluindo também a escolha das respostas corretas em pelo menos metade das questões difíceis.

Claro que ao escrever isso posso receber como contraponto a colocação: “Você está sendo exigente demais!” Concordo. Estou. Mas tal exigência se faz necessária para que possamos buscar os melhores empregos (e consequentemente melhores salários), melhores condições de vida, buscando o equilíbrio entre o trabalho e o lazer (uma vez que com menos horas trabalhadas consegue-se maior remuneração), o que resulta em maior tempo para outras atividades cotidianas (e bastante prazerosas) e muitas vezes não possíveis devido à carga de trabalho excessiva para que se atinja um padrão de renda digno. Em números: Caso um trabalhador consiga um salário de R$4.000,00, por uma carga horária de 30 horas semanais (o que podemos considerar como um salário razoável, com base nos números brasileiros), o mesmo não precisaria trabalhar em dois empregos que pagassem R$2.000,00, consumindo 30 horas semanais cada. Cabe aqui ainda ressaltar que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o salário médio para no Brasil em 2013 equivale à R$1.792,61.

A própria classe média no país muitas vezes tem como queixas a carga de trabalho excessiva, o pouco convívio com os filhos, a falta de acesso ao lazer e outras nuances do dia-a-dia. Para sair desse cenário tenho uma teoria baseada em algumas leis da Física, descritas por Isaac Newton (1643-1727) que dizem “A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida, e é produzida na direção da linha reta na qual aquela força é imprimida” e “A toda ação há sempre oposta uma reação igual”. Na prática: Com maior dedicação atingem-se maiores resultados. Para esforços médios, resultados médios. Tomo a liberdade de citar outro grande pensador alemão, Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) que escreveu: “Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma todo universo conspira a seu favor”.

Dedicar-se na busca da realização pessoal e profissional vale a pena. Melhores (e maiores) resultados advirão disso.
Cabe ao término do texto uma experiência pessoal vivida por mim em 2002, ao prestar um concurso para o funcionalismo público da Prefeitura de São Paulo. Obtive 66,65 pontos em 100,0 pontos possíveis. Resultado acima da média de 50,0 
pontos e que na época foi descrito por mim em casa, perante meus pais, como razoável.

Lembro-me que eram doze as vagas em disputa. Com o aproveitamento de 66,65% no concurso consegui ser aprovado (conforme carta oficial que guardo comigo até hoje). Infelizmente na 1.150ª posição, atrás de outros 1.149 candidatos, distante 1.138 colocações do meu objetivo à época.